terça-feira, 24 de maio de 2011

O Motel

O Motel



Romântica e calmamente, P... pegou-me pela mão, deu-me um beijo rápido nos lábios e saímos em direção ao carro dele, que estava estacionado bem na nossa frente.
Eu entrei no carro, sentei-me ao lado dele e coloquei o cinto de segurança.
Bem que queria mais um beijinho, mas estava entretido tirando a trava do carro, arrumando o espelho, colocando o cinto de segurança: fiquei aguardando a saída.
Percebi que não era só eu que queria mais um beijo; antes de ligar o carro, ele olhou para mim e mordeu os lábios. Eu sorri em resposta àquele gesto, então ele tombou o corpo, segurou com carinho minha cabeça e beijou-me longamente. Depois ajeitou meus cabelos, limpou meu batom borrado, e disse “minha linda...”.
Ligou o carro, arrancou como se quisesse que o carro voasse, o que me deixou preocupada:
-- Calma, você está correndo muito; devagar também chegamos!
Ele maneirou o pé no acelerador e respondeu:
-- Você tem razão, não temos motivo para correr, temos todo o tempo do mundo; a noite é uma criança.
Conforme o carro andava, fiquei um pouco nervosa, pois não sabia onde estava indo, e nem o que ia acontecer.
Logo apareceu a placa iluminada “Motel...”. Percebi a freada e a seta do carro ligada naquela direção. Meu coração bateu forte que podia ouvir as batidas que ele dava, minhas mãos transpiravam e escorregavam facilmente uma na outra.
Chegamos ao motel, ele abriu a porta, pegou-me no colo; eu segurei em seu pescoço e o beijei longamente e devagar caminhando até a cama.
Nós dois lado a lado trocamos caricias e juras de amor.
De repente ele tirou os sapatos. Eu olhei pra cima e avistei um espelho:
-- Olha, um espelho no teto! Disse eu admirada.
Percebi o tamanho fora que tinha dado... Denunciei que nunca havia estado num lugar como aquele antes.
Fiquei de pé observando... Tudo ali era lindo, bem arrumado e limpo. Muitos espelhos, em toda direção eu me via. Até brinquei com meu reflexo reproduzido espalhado pelo quarto.
Ele já havia tirado os sapatos e eu também tirei as sandálias.
Acho que no lugar onde estávamos, tínhamos que tirar muitas outras coisas... Mas o que sairia primeiro? A iniciativa deveria partir dele, pensei... Mas será que é dele mesmo? Será que se partir de mim ele fará mal juízo, pensará que sou uma qualquer? Uma mulher da minha idade, na minha posição, naquele lugar, tem o direito de se preocupar com isto?
Fiquei olhando para ele, que se encontrava em minha frente. Ele desabotoou o cinto lentamente, tirou, enrolou e colocou no criado mudo da cama.
Pensando em ganhar tempo, tentava descobrir que peça eu podia tirar, já que ele havia tirado o cinto. Senti-me na obrigação de tirar uma peça também.
Aí me lembrei dos brincos, não durmo de brincos. Fui caminhando e tirando até a mesa no canto do quarto. Coloquei os brincos sobre a mesa e dei a entender que iria tirar muitas outras coisas. Fui tirando anéis, pulseira, relógio, colar, meias-finas, faixa dos cabelos...
Foi um jeito de pressionar ele a tirar primeiro. E deu certo, pois quando me virei ele já havia tirado a camisa e estava terminando de tirar a calça. Senti-me aliviada, como se tivesse ganhado um troféu! E pensei comigo: “Te peguei, fiz você tirar primeiro”.
Mas e agora? Ele estava só de cueca e eu com toda a roupa... Então abracei a mim mesma com os dois braços, como se me protegesse de alguém. Dei a entender que não ia tirar mais nada.
Com toda calma, ele caminhou em minha direção, estendeu-me as mãos, ficou e uns segundos com elas estendidas até que eu coloquei minhas mãos dentro das dele.
-- Vamos sentar aqui para conversarmos um pouco – Disse ele, complementando com um elogio às minhas mãos, dizendo que eram pequeninas e lindas.
Não pude deixar de notar que ali em minha frente tinha um homem só de cuecas! Eu olhava intensamente seu corpo de cima a baixo, sem perder a proteção de minhas roupas.
Ele segurava minhas mãos delicadamente; senti-me tão transparente, como se não pudesse esconder nada dele. Parecia que lia os meus pensamentos. Comecei a ficar trêmula, com as mãos geladas e a gaguejar. Não saía nada com nada... Como dizer que não quero mais, se na verdade quero? Como dizer que quero, se estou tão nervosa desse jeito?
Sentei ao lado dele, que puxou um assunto que nada tinha a ver com a ocasião... Começou a contar piadas engraçadas, que disse ter ouvido nos bares, por aí.
Eu comecei a dar risadas, acabei me descontraindo, sorrindo com ele... Foi como se o homem de cuecas na minha frente ficasse natural, já não via nada demais.
Tive vontade de tocar seu corpo. Passei a mão em suas costas e percebi que a pele era tão macia e gostosa de tocar... Encostei meu nariz em seu pescoço - a pele era tão cheirosa! -, toquei seus cabelos macios e grisalhos na fronte.
Ele disse:
-- Percebeu que estou de cabelos brancos? Já estou ficando velho.
-- Que velho que nada, está lindo! Respondi.
Então, ele aproveitou a oportunidade:
-- Tira esta blusa para que eu também possa tocar seu corpo, assim como você tocou o meu e me fez sentir tão bem.
Colocou a mão dentro da manga da minha blusa, as mãos eram tão macias, que tive vontade de ser tocada no resto do corpo. Tirei a blusa e ele beijou minhas costas, tocou meu pescoço com as mãos, beijou-me na boca, depois o queixo, depois o pescoço. Passou os dedos no começo dos meus seios e fez-me sentir seus dedos deslizando para as costas desabotoando meu sutiã. Quando senti que o sutiã atrapalhava, eu mesma terminei de tira-lo. E quanto mais ele fazia carícias, mais eu queria.
Então passou as mãos nas minhas coxas, por cima da calça jeans e lentamente desabotoou-a na cintura.
-- Deixe-me ver seu corpo, fique de pé. – Disse ele.
Então terminei de tirar minhas roupas e novamente estávamos empatados: ele de cueca e eu de calcinha.
Nos beijamos muito mais do que muito. E cada vez queria mais me deitar naquela cama, entrelaçar suas pernas em meu corpo. Foi então que num estalar de dedos as peças de roupas restantes sumiram.
Seu corpo dentro do meu, nada mais importava no mundo todo. Não existia mais ninguém, apenas eu e ele. Os problemas do dia-a-dia simplesmente ficaram tão pequenos, quase insignificantes. O importante era a grande felicidade de estar a seu lado, o que me fazia sentir mulher e protegida, não apenas naquele momento, mas em toda vida...
O que importava mesmo, além de nossos momentos de amor, eram as sextas-feiras, quando dançaríamos no Ribeirão Pires Futebol Clube, sábados no Figueiras, embalados pelas músicas do cantor Hélio dos Teclados, e aos domingos na Polese, ou em outro lugar qualquer. Para depois de cada baile, com os corpos suados, tomar banho juntinho e começar a fazer amor embaixo do chuveiro e terminar na cama. Depois dormirmos juntinhos até a segunda-feira de manhã.
A música tocada no radio do carro também era pretexto para prolongar os bailes, fazendo surgir uma química que balançava nossos corpos, que obrigava a parar o carro e dançar na rua mesmo, à luz dos faróis dos veículos ou à luz do luar, nas noites claras. Assim, por muitas vezes dançamos desde o salão nobre de Ribeirão Pires até o acostamento da pista Tibiriçá
Ficamos dependentes da musica: Se ele estava em casa e nossa musica era tocada no radio em qualquer estação, imediatamente pegava o telefone, me ligava e dizia: “Ouve nossa música, está sendo tocada em tal estação”, e eu imediatamente a sintonizava, e longe um do outro, mas perto pelo coração, juntinhos dançávamos a nossa musica preferida Morango do Nordeste, com Frank Aguiar.
Além de ficarmos juntos às sextas, passamos também a ficar juntos às quintas-feiras, até passarmos a nos encontrar a semana toda. Visitamos todos os motéis da redondeza... Até a árvore na estrada Velha de Santos foi testemunha de nossa paixão.
Cada despedida era triste; estávamos dependentes um do outro. A cada refeição um lembrava do outro, e sempre um ligava e perguntava o que o outro ia comer naquele dia.
Se achássemos que a comida do outro estava mais gostosa, sempre dávamos um jeito de comer juntos, sem perceber que a comida era apenas uma desculpa para nos encontrar, é claro. Comendo no mesmo prato, com um só talher. Sentada no seu colo, dando-lhe comida na boca, vestidos como nascemos... Esta sim, era a refeição mais gostosa do mundo...
Em pouco tempo éramos um só coração, um só pensamento. Juntos parecíamos fazer o chão de Ribeirão tremer diante de nosso lindo caso de amor.

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