terça-feira, 24 de maio de 2011

Cap 8 A Paixão

A paixão

Não demorou muito e o final de semana chegou. O telefone tocou e ao atender uma voz masculina disse que gostaria de falar com Maria.
.- Pois não, pode falar! - Sou o P..., seu amigo do restaurante. Estou ligando para aquela dança prometida.
- Você esta falando serio?, indaguei meio surpresa, pois não esperava que cumprisse a promessa.
- Claro que sim! A que horas passo para lhe pegar?
- Ah! Não sei. Nunca sai assim,você é quem sabe.
- Ta bem, às nove passo para lhe pegar. O endereço é o mesmo do antigo barzinho?
- Sim moro no mesmo lugar. Espero às nove então, tchau!
Procurei roupas no meu guarda-roupas inteiro e não sabia como me vestir. Imaginei que se eu fosse de social e todos estivessem vestidos esportivamente ou se fosse ao contrário.
- Meu Deus, como será este lugar?
Depois de vir a baixo o guarda-roupa inteiro, decidi usar uma calça branca, com uma blusa preta e um blazer preto, meia estação.
Pelo sim e pelo não, me arrumei e fiquei pronta.
Às nove em ponto ele chegou como um perfeito cavalheiro; abriu a porta do carro e disse:entre madame.
Eu entrei e sentei ao lado dele. Fiquei um pouco sem graça e nem sabia bem o que dizer, pois parecia que tinha mais de duas mãos. Meio nervosa, acabei passando isso para ele e ficamos uns minutos olhando um para o outro.
Quando resolvi falar alguma coisa, que nem sabia o que ia tentar dizer; ele também decidiu falar algo.
- Ah,eu?
- Desculpe-me! Fale você primeiro, eu disse.
- Ah não é nada, até me esqueci.
- Eu também esqueci o que ia dizer – repeti e acrescentei em tom de brincadeira que quando a gente se esquece o que ia dizer é porque é mentira.
Ele respondeu:
- Não eu jamais mentiria para uma dama.
- Obrigado pela parte que me toca.
- Para mim você é uma dama.
- Obrigado.

- Para onde você gostaria de ir? Perguntou.
- Não conheço nada! É a primeira vez que saio à noite desde que me casei lá onde Judas perdeu a bota.
- Eu tenho andado por ai apenas para passar o tempo e, com você vestida assim, confesso que nem sei onde te levar.
- Não importa onde. Hoje, preciso apenas de uma companhia para conversar.
- Eu também. Tudo que preciso é conversar com alguém que me ajude a resolver meus problemas e tomar algumas decisões, ou apenas jogar conversa fora.
- Que bom que nos encontramos, temos algo em comum.
Ficamos conversando ali mesmo, com o carro estacionado. O tempo foi passando, fomos nos entretendo e o papo se estendendo. Ficamos falando de nossas dores e mágoas passadas e lavando a alma.
Ate que nos dar conta o sol raiou e já era dia e não tínhamos saído do lugar.
- Isto é incrível! Passamos a noite inteira sentados aqui e não nos cansamos.
A conversa foi tão agradável, que eu estava disposta a enfrentar o dia contente e nem sabia porque.
Ele disse:
- Sinto muito! A dança vai ter que ser adiada, pois a essa hora todas as danças da cidade terminaram. Mas não tem nada não. Prometo que logo mais venho te buscar de novo e vou me informar na cidade para lhe levar em um lugar bem legal.
- Ok! Agora tenho que entrar: o dia vai começar para nos dois.
- Ate às nove da noite e, desta vez, para dançar.
- Até as nove. Tchau.
- Às nove em ponto, o ronco do carro estava no meu portão. Ele chegou e repetiu a mesma cena todo perfumado e bem trajado.
Eu estava à altura também; bem maquiada e em cima de um salto toda feliz.
Assim que entrei no carro, ele tinha destino certo: o bailão da Estância Alto da Serra, com Theodoro e Sampaio. Começamos a dançar, as vezes pisamos no pé um do outro ou no pé de alguém, mas lá estávamos nós dançando e assim ficamos a noite toda. Só paramos para beber água.
Lá pelas quatro horas, o artista mudou a música, que agora tocava uma mais lenta e romântica, para os apaixonados. Demoramos um pouco para acertar um passo mas logo conseguimos um encaixe.
Com os passos acertados e rostos colados, dançamos igual bailarinos. Não sei bem o que aconteceu, mas o cheiro do suor com o perfume dele resultou uma química louca, que me deixou atraída e, com o clima romântico, pintou um cheiro de amor no ar.
Minhas mãos pareciam tão pequenas dentro das mãos dele, que segurá-las fortemente me faziam sentir protegida. Nossos corpos colados de cima a baixo ,eram um só naquele momento, quando então senti que minhas mãos esfriavam cada vez mais e minhas pernas pareciam bambas, apoiadas nas dele.
Quase nem agüentava o peso do meu corpo, que cada vez mais ia de encontro com o dele, formando uma espécie de tique nervoso,e tremia constantemente, já não mudando os passos que a musica pedia. Minha respiração ficou mais ofegante e podia sentir seu coração batendo mais forte.
Coloquei a mão direita sobre seu peito, mas não me dei por satisfeita, desabotoei seus primeiros botões e pude sentir seu corpo quente; fiz uma caricia em seu peito. A mão esquerda, coloquei debaixo da camisa em suas costas e apertava cada vez mais meu corpo no dele. Não tenho mais como descrever a emoção, que um ser humano pode sentir nesse momento celestial e ir para o paraíso sem sair da terra, não tinha como disfarçar o sentimento.
Quando ele olhou em meus olhos, o brilho ofuscava a nossa visão e, antes mesmo de encostarmos os lábios um no outro, já pude sentir o gosto do beijo.
Foi quando lentamente fomos colando lábios nos lábios, beijo com beijo, nossos lábios se abraçaram, nossas línguas brincavam em nossas bocas, como a saborear uma fruta qualquer ou um sabor não definido. Só sei que era muito bom.
Não tínhamos mais nada a fazer naquele lugar. O sol já vinha raiando, logo seria dia e teríamos que voltar parta a casa.
Durante o caminho mantivemos silêncio por um bom período, até quando ele fez a pergunta:
Será que você aceitará meu convite de novo pro baile na semana?
Respondi claro e em bom tom;
Claro que sim. Porque não?
Ele disse:
Fica combinado para sexta às nove, Ok?
Preferimos nos despedir apenas com um beijo no rosto.
Fui tomar um longo e bom banho e um café bem forte para encarar o dia.
Passei o dia intrigada com o acontecido – aliás, não só o dia mas também a noite e a semana também. Mas percebi que a semana foi muito boa, pois sentia uma felicidade que não sei de onde vinha e que me tomou como uma onda no mar; meu corpo flutuava cada vez que lembrava daquele cheiro de suor junto com nossos perfumes.
Esqueci de todo. E qualquer problema que tinha para resolver parecia mais fácil; a solução aparecia num estalar de dedos. Tudo para que sexta-feira pudesse estar livre e sair de novo para dançar e sentir aquele corpo junto ao meu.As noites foram cumpridas, pois quando deitava na cama, minhas mãos procuravam aquelas mãos fortes e macias, minhas pernas debatiam na cama procurando outras pernas para se aquecer e eu rolava na cama de um lado para o outro, procurando alguma coisa para substituir seu corpo junto ao meu.
Então, juntei algumas almofadas da cama paralelas ao meu corpo,entre as pernas e apertava forte, fechei os olhos e pude ouvir de longe o som dos instrumentos tocando em meus ouvidos. Respirando bem fundo, senti aquele cheiro gostoso, aquele homem, aquela sensação gostosa, o frio na espinha que não sei se vinha de baixo ou de cima e o cheiro do amor no ar. O perfume dele estava impregnado em meu nariz, então respirei fundo procurando uma explicação para eu mesma, mas meu cérebro não queria saber de explicações e gritava pelo seu nome; minhas mãos exigiam a presença daquelas mãos, ate as pontas dos meus dedos procuravam desesperadamente o corpo dele para tocar. E eu contava cada minuto no relógio para vê-lo outra vez.
Até que o tão esperado momento chegou às nove da noite de sexta feira. Eu aguardava ansiosa no portão, tentando achar um jeito para esconder minhas emoções e ensaiando palavras que não denunciassem meus sentimentos por ele.
Quando ele chegou tive a mesma impressão dele. O que eu não pensei foi que tinha jeito para esconder, pois era uma fulminante paixão, que estava brotando em nossos corações e nenhum de nós estava sabendo lidar com isso direito.
Cada momento juntos tornou-se mais intensos a ponto de perdemos a razão. Saímos para dançar pela segunda vez, agora na sexta dançante, no salão nobre de Ribeirão Pires FC. Logo que começamos a dançar de rosto colado, meus dedos já tinham destino certo: seu corpo.
A coisa foi ficando boa mais escurinho de um jeito que não chamássemos muita atenção. Lembrando sempre que:”o amor é cego mas os vizinhos não”, não demorou muito e o convite saiu .
Vamos a um lugar mais reservado para conversarmos e ficarmos a sós, como por exemplo, um motel?
Você topa?
Eu louca para realizar o sonho que tanto sonhei acordada durante as noites de insônia.Tentando não denunciar que na arte de amar era ainda leiga, não tinha muita experiência, pois nunca passei de esposa comportada e mãe dedicada.
Tentei dar a entender que sabia de tudo, topei na hora e pensei: Não pode acontecer nada mais do que já tinha acontecido antes.
e procuramos um jeito de sair da multidão e encontramos um cantinho

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